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O Centro Acadêmico de Ciências Sociais da Universidade Federal de Minas Gerais é o órgão de representação estudantil dos alunos desse curso. Antes chamado de Centro de Estudos de Ciências Sociais, foi um dos mais ativos órgãos estudantis, pelo caráter político e reivindicatório dos seus participantes.

Durante suas décadas de existência, o CACS sempre primou pelas demandas dos alunos do curso. Entre elas, ressalta-se a participação em eventos acadêmicos, como a ANPOCS (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais), SBS (Sociedade Brasileira de Sociologia), ABA (Associação Brasileira de Sociologia), ABCP (Associação Brasileira de Ciência Política) e ENECS (Encontro Nacional de Estudantes de Ciências Sociais). Assim como as Semanas de Ciências Sociais e os demais eventos e seminários realizados na FAFICH. Os dois projetos do centro acadêmico, que ganham cada vez mais respaldo perante a comunidade acadêmica, são o Projeto de Línguas, criado em 1999 pela gestão "Travessia", que oferece o curso de inglês, francês e espanhol à baixo custo para toda a universidade e a Revista Acadêmica Três Pontos, que teve seu primeiro exemplar lançado no primeiro semestre de 2004 e recebe, cada vez mais, o apoio da comunidade científica com o interesse na área.

Conhecido por trazer o nome do professor Arthur Versiani Velloso, hoje o CACS carrega também o nome de Vinícius Caldeira Brant, docente que compusera o quadro de professores das Ciências Sociais e que foi um ativo membro do movimento estudantil na sua época de maior efevercência. As vocações e paixões que ambos inspiraram ao centro, tanto na academia quanto na luta social, é inspiração para futuros cientistas sociais.

Eleita na última eleição, a Gestão Equilíbrio 2007/2008 entrou com projetos que visam unificar as questões políticas e acadêmicas da vida estudantil buscando conciliá-las em eventos e iniciativas que proporcionem mais qualidade à formação de cientistas sociais na UFMG.

Arthur Versiani Velloso
Arthur Versiani Velloso (1909-1986), catedrático de História da Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais e ocupou a cadeira 18 da Academia Mineira de Letras. É um dos fundadores da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, fundada no dia 21 de maio de 1939. Fundou também a revista Kriterion do Departamento de Filosofia. Durante muito tempo, Velloso fora a própria alma da Faculdade de Filosofia e a imagem do mestre para seus alunos. Era um kantista e como admirador de Emmanuel Kant viajou duas vezes à Alemanha para realizar, em Koenisberg, com o corpo docente da  universidade, a famosa "stoa" kantiana ao túmulo do mestre alemão.  Tal era sua admiração por aquele filósofo que mandou fazer, em Belo Horizonte, uma réplica, em granito, da sua pedra tumular onde estão gravadas as imortais palavras com que é concluída a Crítica da Razão Prática" Duas coisas enchem o meu espírito de admiração e respeito, sempre novos e crescentes, quanto mais sobre elas reflito: o céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim".

Vinícius Caldeira Brant
Um dos principais sociólogos brasileiros, o mineiro Vinícius Caldeira Brant, do departamento de Sociologia da Fafich, morreu aos 58 anos, vítima de infecção provocada após cirurgia para retirada de um câncer no estômago. Formado em Sociologia e Política pela Face, Caldeira Brant tornou-se conhecido nacionalmente quando presidiu a União Nacional dos Estudantes na época de maior efervescência do movimento estudantil, antes do golpe militar. Era então militante da Ação Popular, organização de esquerda de inspiração católica.

Em 1964, exilou-se na França, onde fez pós-graduação. Voltou clandestinamente ao Brasil depois de trabalhar no Centro de Estudos para a América Latina (Cepal), no Chile. Bastante visado pelo governo militar, foi preso em 1970 e sofreu várias torturas. O cônsul americano em São Paulo, Frederic Chapin, registrou "...Vinícius Caldeira, foi detido em 19 de setembro, pouco depois de Singer, e severamente torturado por choques elétricos, naquela noite. Paul Singer disse ter ouvido gritos, naquela noite, e que depois foi informado de que se tratava de Caldeira". Libertado em 1973, ingressou no recém-criado Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Em 1975, como pesquisador do Cebrap, coordenou o trabalho São Paulo: Crescimento e pobreza, transformado em livro, que alcançou grande repercussão no meio acadêmico. O professor Fábio Wanderley Reis, do Departamento de Ciência Política da Fafich, diz que o sociólogo transitava com grande desenvoltura por vários ramos das ciências humanas: "Caldeira Brant desenvolveu com competência estudos em diversas áreas". No início dos anos 80, o sociólogo ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores (PT).
Caldeira Brant entrou para a UFMG em 1991, depois de aprovado em concurso para professor titular com a pesquisa O trabalho prisional, mais tarde publicada pela Editora Forense, do Rio de Janeiro, com o título O trabalho encarcerado. Até então, nunca havia atuado como professor universitário. "Ele dizia que a experiência em sala de aula tinha dado novo sentido à sua vida profissional", lembra o professor Otávio Dulci, chefe do departamento de Sociologia. Admirado por colegas e alunos, Caldeira Brant trabalhou na coordenação de pesquisas na área de Sociologia do Trabalho até poucos dias antes de morrer.